Como os agentes de IA estão a causar uma revolução em Portugal
- Pedro dos Santos
- 2 de ago. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 21 de dez. de 2025

Portugal tem vindo a destacar-se como um dos polos mais dinâmicos da Europa na adoção de agentes de IA: sistemas inteligentes capazes de tomar decisões automáticas, interagir com utilizadores ou executar tarefas complexas sem intervenção humana contínua. São ferramentas baseadas em IA generativa, modelos de linguagem (LLMs) e automação inteligente que já fazem parte do dia‑a‑dia de empresas, hospitais, universidades e até da administração pública em Portugal.
O panorama da adoção de IA em Portugal
Estatísticas macroeconómicas e empresariais
Um estudo da Strand Partners, encomendado pela AWS, revela que 35% das empresas portuguesas já adotaram IA em 2023, um crescimento de 25% em relação a 2022. Se mantida esta taxa, o impacto económico sobre o Valor Acrescentado Bruto poderá chegar a 61 mil milhões de euros até 2030
Segundo a Marketeer/AWS, em 2025 já são 96 000 empresas (41%) a usar IA: o equivalente a cerca de 12 novas adoções por hora. Destes, 94% reportam aumentos de receita de cerca de 30%, e 77% indicam ganhos significativos de produtividade
Barreiras à adoção
A escassez de competências digitais é apontada por 42% das empresas como obstáculo. Muitas respondem com incentivos: salários até 41% mais altos para atrair talentos
Apenas 8% a 9% das PME portuguesas com 10 ou mais empregados utilizavam IA em 2024: um valor inferior à média europeia ( cerca de 13%) e refletindo uma adoção desigual comparado com grandes empresas
A indústria e o setor público em crescimento
Uma sondagem IDC aponta que 70% dos trabalhadores portugueses já utilizam IA no trabalho, em linha com a média global, mas 53% admitem confiar demasiado nos resultados da IA, enquanto 29% já carregaram dados sensíveis em ferramentas generativas sem as verificar
Impacto na produtividade e no emprego
Requalificação e crescimento económico
Um estudo da McKinsey indica que cerca de 1,3 milhões de postos de trabalho (30 % da força laboral) terão de ser requalificados até 2030, e cerca de 320 000 funcionários deverão mudar de função, sobretudo em áreas de atendimento ao cliente ou apoio administrativo.
A adoção acelerada de automação e IA generativa pode elevar o crescimento anual do PIB de Portugal de cerca de 0,6% para 3,1% até 2030, alinhando‑se com a média europeia
Economia e produtividade acelerada
A PwC estima que a IA pode elevar o PIB do sul da Europa em até 11,5% até 2030 ( cerca de 700 mil milhões de euros), com impacto direto em Portugal
Segundo dados IDC, a procura por talentos em IA em Portugal deve crescer mais de 20% ao ano até 2026, refletindo uma intensificação dos investimentos em tecnologia digital, IA, cloud e cibersegurança
O ecossistema nacional de agentes de IA
Startups e soluções “made in Portugal”
Automaise (Braga): desenvolveu o modelo Quokka, um LLM próprio treinado para atendimento ao cliente, já presente em setores como banca, seguros e logística
Feedzai (Coimbra): startup unicórnio portuguesa especializada em detecção de transações fraudulentas em tempo real com IA avançada. Atua globalmente no retalho, finanças e e‑commerce
Collab (contact centres): solução de IA e bots conversacionais para centrais de contacto, com projetos como AI4CC em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e presença internacional em SaaS de contacto ao cliente
Wisecrop (Porto): plataforma de IA para agricultura digital que monitoriza culturas, otimiza recursos e melhora a sustentabilidade ambiental
Projetos de investigação e parcerias europeias
O LabMAg, da Universidade de Lisboa, é dedicado ao estudo de modelação de agentes em IA e é uma das instituições fundadoras do Instituto das Ciências da Complexidade
Portugal participa em consórcios europeus de IA como o projeto AIDA, focado em agentes autónomos para ciberdefesa e saúde, incluindo assistentes pessoais para envelhecimento ativo ou educação personalizada via agentes conversacionais
Iniciativas nacionais e regulação
A Agenda Portugal IA 2030 (AMA, AI Hub, Portugal 2020/2030, Rede de Laboratórios de IA) apoia a adoção de agentes inteligentes na administração pública e no setor privado, promovendo inovação e formação infraestruturada
Multinacionais como Microsoft, Google, IBM, AWS localizam agentes de IA, adaptados ao português europeu, como o Microsoft 365 Copilot com agentes integrados e experiências específicas para o mercado nacional
Casos concretos de agentes a operar hoje
Saúde pública e diagnóstico clínico
A Editorialge lista 111 projetos de IA ativos na saúde portuguesa, liderados pela SPMS e unidades regionais. Destaques incluem:
Derm‑AI (diagnóstico de cancro de pele): reduz tempo de análise em 30%
SCOUT.AI (triagem automática no SNS24): aceleração de 40% no atendimento
AI4Lungs (diagnóstico pulmonar): primeiro projeto europeu liderado por Portugal, com financiamento de €6,9 milhões
Entre os impactos apresentados estão
Rotinas administrativas automatizadas libertam 12 horas semanais por profissional
Gestão preventiva de recursos em urgências atinge precisão de 92% nas previsões
Economias estimadas em €3,2 milhões anuais com controlo de antibióticos, e até €15 milhões anuais com deteção antifraude em compras públicas
Serviços financeiros e retalho
Por que a sua empresa deve investir já em agentes de IA?
Ganhos tangíveis com IA generativa e agentes inteligentes

Alavancar liderança no setor
Empresas portuguesas como Feedzai, Automaise, Collab ou startups sediadas em hubs como PACT (Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia) estão a consolidar Portugal como referência na criação de agentes confiáveis e eficientes
O investimento ativo do Estado, via fundos europeus e políticas como Tech Visa ou incentivos fiscais, reforça o ambiente propício à inovação tecnológica e retenção de talento
Guia prático: como começar a usar agentes de IA
1. Mapear processos com elevado volume manual: triagem de tickets, FAQ, atendimento repetitivo, relatórios financeiros.2. Definir objetivos claros: melhor experiência do cliente, redução de custo por atendimento, tempo de resolução, volume de automação.3. Escolher a tecnologia certa: plataformas que usem LLMs treinados para português europeu (como Quokka da Automaise ou soluções adaptadas da Microsoft/Google).4. Construir painéis de dados internos: dashboards que alimentem agentes com contexto (perfil cliente, histórico, produtos).5. Garantir conformidade legal: inclua explicabilidade, gestão de dados, auditoria e alinhamento com regulamentos IA da UE.6. Capacitação da equipa: treinar colaboradores para interagir com agentes, validar outputs, lidar com exceções e manter os sistemas.7. Monitoramento e melhoria contínua: acompanhar métricas e adaptar os agentes com base em feedback real.
Portugal, motor europeu de agentes de IA
Portugal está a acelerar no caminho para se tornar um hub europeu de agentes inteligentes confiáveis, com impacto económico e social tangível. A convergência entre políticas públicas proativas, investimento em talento, ecossistema de startups locais ou globais, e centros de investigação coloca o país numa posição de liderança nesta nova era da automação inteligente. Embora haja desafios, como a falta de literacia em IA (apenas 10 % da população conhece as regras aplicáveis à IA em Portugal) e a desconfiança pública, a tendência é clara e irreversível: agentes inteligentes já estão a transformar empresas, serviços e oportunidades no país.
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